Uma operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), realizada no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, está no centro de uma grave denúncia. Dez policiais militares foram acusados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro por uma série de irregularidades durante uma ação realizada em janeiro de 2025.
Segundo as investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública, os agentes teriam invadido ao menos 13 residências na comunidade da Nova Holanda sem autorização judicial ou consentimento dos moradores. Para entrar nos imóveis, os policiais teriam utilizado chaves mestras ou forçado portas.
Imagens captadas por câmeras corporais reforçam a denúncia e mostram comportamentos considerados incompatíveis com a missão. Em alguns registros, os agentes aparecem deitados em sofás, utilizando banheiros das casas e consumindo alimentos encontrados nas geladeiras.
Em um dos trechos analisados, um policial é visto pegando comida enquanto brinca com colegas: “Todo mundo assistindo televisão bonitinho!”. Já em outro momento, agentes surgem sem camisa, apagando as luzes e permanecendo em descanso por um longo período, quando deveriam estar em patrulhamento.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a tentativa de dificultar o registro das ações. De acordo com o Ministério Público, os próprios policiais teriam bloqueado propositalmente as lentes das câmeras operacionais, gerando imagens escuras que comprometem a transparência da operação. Ainda assim, áudios e gravações de outros equipamentos ajudaram a reconstruir os fatos.
Diante das evidências, os dez agentes foram denunciados por violação de domicílio, descumprimento de missão e recusa de obediência. O caso agora está sob análise da Justiça Militar, que irá decidir se aceita ou não as acusações.
Em nota, a Polícia Militar informou que abriu procedimento interno para apurar o caso e encaminhou um relatório à Auditoria de Justiça Militar, destacando que não tolera desvios de conduta por parte de seus integrantes.



