Saiba quem é “Bonitão”, o policial penal que estava foragido e foi preso nos Estados Unidos

Agentes da Drug Enforcement Administration (DEA), órgão federal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, prenderam na manhã da última sexta-feira (24) o policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, conhecido como Bonitão. O agente do Rio de Janeiro foi abordado quando caminhava em Orlando.

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O órgão norte-americano realizou a ação cerca de 48 horas após pegar informações sobre ele com a Polícia Federal (PF). O servidor estava foragido desde o dia 9 de março e era um dos procurados pela Operação Anomalia. Ele é suspeito de ser uma espécie de facilitador político e operacional para atrasar a extradição de Gerel Lusiano Palm, traficante internacional de drogas.

Luciano tem cidadania portuguesa, mora e trabalha em Orlando em uma loja de material esportivo. Após passar por uma audiência de custódia, a Justiça americana avaliará eventuais medidas contra o agente e a deportação dele ou não.

Antes de morar nos Estados Unidos, ele era ligado ao governo do Rio de Janeiro e recebia dois salários. Em fevereiro, por exemplo, ele recebeu R$ 2.963,99 da Secretaria Estadual de Polícia Penal (Seppen) e outro salário do Instituto de Assistência dos Servidores do RJ de R$ 3.234,74, um total de R$ 6.198,73.

A Seppen informou, na época, que “Luciano de Lima Fagundes Pinheiro pertencia ao quadro da Secretaria, mas esteve cedido a outros órgãos da administração pública estadual e federal”. O Instituto de Assistência dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (Iaserj) ainda não se pronunciou.

Em 2014, Luciano foi preso na Maré, apontado como informante do traficante Marcelo das Dores, o Menor P. Ele seria o elo entre Menor P e o ex-chefe do tráfico na Rocinha, Antonio Bonfim Lopes, o Nem. Ele recorreu em liberdade, mas foi condenado e cumpriu pena. O policial obteve na Justiça a reabilitação criminal.

Em 2021, foi alvo de investigação da Seppen, pois teria visitado o faraó dos bitcoins, Glaidson Acácio na prisão, o que ele negou na época. Posteriormente, Luciano ainda foi nomeado na Assembleia Legislativa do Rio pelo então presidente André Ceciliano (PT). Depois foi para Brasília onde esteve cedido até fevereiro de 2025 ao gabinete do deputado Dr. Luizinho (PP).

A assessoria de André Ceciliano disse que o policial penal foi indicado na Alerj pelo deputado André Lazaroni, e ainda que não se reuniu com o policial penal em Brasília e que “ele pode ter tentado vender um prestígio que não tinha”.

A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) afirmou em nota que “ainda que não foi oficialmente notificada pela Polícia Federal ou por qualquer outro órgão sobre eventual investigação envolvendo o servidor. Luciano de Lima Fagundes Pinheiro pertence ao quadro da Secretaria, mas esteve cedido a outros órgãos da administração pública estadual e federal.

“O servidor retornou aos quadros da Seppen nesta quarta-feira (11/03) e, no momento, não ocupa cargo ou função. O caso será apurado pela secretaria”, informou.
A assessoria do deputado federal Dr. Luizinho não retornou ao portal G1.