Clientes lamentam fechamento de brega em Salvador por conta de obra do VLT: ‘E o pão das meninas?’

O avanço da obra do VLT de Salvador, que promete ligar a região do Subúrbio ao Centro da capital baiana, gerou diversas polêmicas por conta das desapropriações que estão sendo feitas. Uma delas é a decretação do fim de um lugar muito popular na região: o Brega de Orlando. Instalado às margens da Baía de Todos-os-Santos, a “faculdade”, como é apelidado o local, está com os dias contados. Isso porque o trecho fica próximo à linha férrea por onde vão passar os trens do VLT.

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“É a faculdade do tio Orlando. Quem não estudava lá?”, conta com bom humor o ‘aluno’ Antônio Carlos, conhecido como Tutuca. “E o pão das meninas? O VLT tá chegando, é coisa nova para a gente. Mas até o velho fazer um novo para a gente…”, brinca.

José Roberto, morador do bairro e frequentador do brega, lamenta o fechamento, mas considera que a obra é essencial pra região. “É difícil porque muita gente vai ter que sair e a gente conhece. Mas infelizmente a mudança é essa aí mesmo. Não tem o que fazer. A gente não pode voltar a andar de carroça”,

Segundo a Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB), responsável pela intervenção, o brega está num local que corresponde a um segmento em curva do traçado do modal, condição técnica que exige adequações específicas ao projeto e inviabiliza a permanência do imóvel por ali, conforme critérios operacionais e de segurança do sistema. “Na região, estão previstas intervenções urbanas que incluem a implantação de áreas de convivência e uso público, espaços destinados ao lazer infantil, equipamentos para a prática de atividades físicas e estruturas de apoio às atividades tradicionais. As ações foram pensadas para qualificar o espaço urbano e ampliar as opções de lazer, esporte e convivência para a população local”, disse a CTB.

A inauguração do VLT de Salvador ainda não tem uma data única, mas a operação assistida do primeiro trecho, que vai da Calçada à Ilha de São João, está prevista para meados de 2026, com a previsão de uso público completo entre junho e julho de 2026. O projeto completo será em três trechos, com o segundo trecho (Paripe a Águas Claras) e o terceiro (Águas Claras a Piatã) com conclusões ainda distantes.