Delegado diz que ‘tudo indica’ que carro foi fuzilado por engano no Rio

Militares do Exército deram mais de 80 tiros no carro em que estava a família de um músico de 51 anos, que morreu na hora. O padrasto da mulher Evaldo dos Santos Rosa também foi atingido, além de um pedestre que passava pelo local. O caso aconteceu em Guadalupe, na Zona Norte.

Investigação militar

Os militares envolvidos no caso foram ouvidos, segundo a Polícia Civil, pelo próprio Exército – que entendeu que a investigação deveria ser militar. A Polícia Civil, no entanto, vê indícios para prisão em flagrante.

“Fica muito difícil tomar uma decisão diferente desta [prender], não vejo uma legítima defesa pela quantidade de tiros que foi. Os indícios apontam para uma prisão em flagrante”, afirmou o Salgado.

Comando militar fala em ‘injusta agressão’ de ‘assaltantes’

Logo após a morte de Evaldo dos Santos Rosa, o Comando Militar do Leste (CML) negou que tenha atirado contra uma família e disse que respondeu a uma “injusta agressão” de “assaltantes”. À noite, em outra nota, informou que o caso estava sendo investigado pela Polícia Judiciária Militar com a supervisão do Ministério Público Militar.

‘Continuaram atirando’

Uma amiga da família, que estava dentro do carro, contestou a versão do Exército e disse que os militares não fizeram nenhuma sinalização antes de abrir fogo contra o veículo.

“Eu não vi onde foi o tiro, mas eu acho que foi nas costas. Só que a gente pensou que ele tinha desmaiado no volante […] A gente saiu do carro, eu corri com a criança e ela também. A gente saiu do carro e mesmo assim eles continuaram atirando “, afirmou por telefone à TV Globo a amiga da família.

O que diz o Comando Militar do Leste

“A fim de realizar uma apuração preliminar da dinâmica dos fatos ocorridos, foi determinado pelo Comandante Militar do Leste que sejam coletados os depoimentos de todos os militares envolvidos, bem como ouvidas todas as testemunhas civis, o que está em andamento, nesse momento, na Delegacia de Polícia Judiciária Militar ativada na Vila Militar. O Ministério Público Militar já foi informado e está supervisionando a condução dessas oitivas”.