Onze pacientes perdem visão de um dos olhos após cirurgia de catarata em clínica de Salvador

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Salvador confirmou, na última segunda-feira (9), que onze pessoas perderam a visão de um dos olhos após passarem por cirurgia de catarata na clínica Clivan, em Salvador. Todos passaram por evisceração ocular, que é a retirada da parte interna do globo ocular.

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De acordo com a pasta, os pacientes seguem em acompanhamento especializado e serão encaminhados para reabilitação no Instituto dos Cegos da Bahia, na capital baiana. O processo contará com uma equipe multiprofissional, incluindo atendimento psicológico.

Até a última atualização divulgada pela SMS, na semana passada, nove pacientes apresentavam complicações e tinham indicação para o procedimento. O número, no entanto, subiu para onze após novas avaliações médicas. Todos desenvolveram infecção após a cirurgia.

As 26 pessoas que passaram pelo procedimento de catarata no dia 26 de fevereiro, na mesma sala da clínica, estão sendo acompanhadas na rede pública de saúde, com atendimento no Hospital Geral do Estado (HGE) e no Hospital Santa Luzia. Segundo a secretaria, nenhum dos pacientes tem previsão de alta médica até o momento.

Além dos onze pacientes que precisaram passar pela evisceração ocular, outros 15 que também realizaram a cirurgia na clínica seguem sob monitoramento médico. A SMS informou que todos passam por revisões periódicas, de acordo com a necessidade de cada caso.

Interdição

A clínica Clivan, localizada na Avenida Garibaldi, permanece interditada desde o dia 2 de março. O contrato da unidade com a Prefeitura de Salvador também foi suspenso. Um aviso fixado na entrada do estabelecimento orienta que pacientes em acompanhamento entrem em contato com a Regulação Municipal para receber orientações e serem encaminhados a outros prestadores da rede.

Segundo a SMS, o processo de remanejamento desses pacientes já foi iniciado e ocorrerá de forma gradual, considerando as etapas de avaliação, regulação e disponibilidade de atendimento na rede municipal de saúde.

O oftalmologista responsável pelas cirurgias afirmou, em entrevista à TV Bahia, que atua na área desde 2013 e disse nunca ter enfrentado uma situação semelhante. O médico, que pediu para não ser identificado, disse que aguarda o resultado da investigação conduzida pela Vigilância Sanitária, que deve apurar se houve contaminação em algum insumo ou instrumento cirúrgico utilizado nos procedimentos.

A Clivan, por sua vez, disse em nota que todos os protocolos clínicos, técnicos e de biossegurança foram seguidos durante as cirurgias e no acompanhamento pós-operatório dos pacientes. A unidade destacou ainda que realiza mais de 8 mil procedimentos por ano e classificou o episódio como pontual.

“A clínica mantém um histórico sólido de segurança, qualidade e excelência. Reiteramos nosso compromisso com a saúde, o bem-estar e a transparência no atendimento aos pacientes, permanecendo à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais”, diz o comunicado.