BALACLAVA NA OCORRÊNCIA: oito PMs são punidos com detenção após uso de máscara em Salvador

Oito policiais militares que participaram de uma ocorrência no bairro do Uruguai, em Salvador, foram punidos com cinco dias de detenção após utilizarem balaclavas durante o serviço. A decisão disciplinar consta em publicação da Polícia Militar da Bahia.

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Os agentes pertencem a uma unidade da Rondesp/BTS e estavam envolvidos em uma operação conjunta que terminou com a prisão em flagrante de um criminoso conhecido como “Gão”. O caso aconteceu em 26 de agosto de 2024.

Segundo o processo disciplinar, o uso da balaclava contrariou o Regulamento de Uniformes da PMBA, já que o acessório não é autorizado para o uniforme C1, utilizado no Policiamento Ostensivo Geral. Durante o andamento, os oito policiais afirmaram que utilizavam o acessório para preservar a identidade e proteger a segurança pessoal e de familiares.

Segundo os depoimentos, durante a ocorrência havia moradores filmando a ação e transmitindo as imagens pelas redes sociais. Os policiais também relataram que a região possuía câmeras de monitoramento instaladas por criminosos e que o local era dominado pelo tráfico de drogas.

Alguns dos militares disseram ainda que moravam no próprio bairro ou em áreas próximas e temiam ser reconhecidos durante o serviço e sofrer represálias fora do horário de trabalho.

Os policiais também afirmaram que não tinham conhecimento de que o uso da balaclava era proibido pelo regulamento e que deixaram de utilizar o acessório após a repercussão do caso.

As defesas dos militares pediram o arquivamento do processo disciplinar e a absolvição dos envolvidos. Entre os argumentos apresentados estava a alegação de que o uso da balaclava não tinha como objetivo prejudicar o serviço, mas proteger os policiais e seus familiares diante de um suposto risco de represália.

Uma das defesas também argumentou que, diante de situações excepcionais de ameaça, o uso do equipamento poderia ser justificado.

Na decisão, porém, a PMBA entendeu que as justificativas apresentadas não afastavam a infração disciplinar. Segundo o processo, não foi identificado um perigo atual que justificasse o uso do acessório. A decisão destacou que o risco genérico relacionado à atividade policial não seria suficiente para afastar a regra prevista no regulamento.

A corporação apontou que os militares violaram a Portaria nº 086-CG/2022, que proíbe alterações ou sobreposição de peças e equipamentos nos uniformes fora das regras estabelecidas.

Com a conclusão do processo disciplinar, a PMBA aplicou cinco dias de detenção a cada um dos oito policiais. Conforme a decisão, as sanções deverão ser cumpridas no Batalhão de Choque (BPChq), em Lauro de Freitas. A Rondesp/BTS deverá informar à Corregedoria da PMBA as datas de início e término do cumprimento das punições.