Covid-19: Pegar praia é mais seguro do que andar de ônibus em Salvador

Passageiros de ônibus de Salvador reclamam que muitos coletivos estão circulando lotados pela cidade, mesmo em meio à pandemia do coronavírus.

As fotos de pessoas seguindo em massa rumo a Orla de Salvador neste final de semana provocam em muitos justa irritação, mas a maioria ignora as condições de lotação diária do transporte público nas metrópoles brasileiras, que pode ser muito mais problemática diante de uma pandemia.

A divulgação foi analisada pelo virologista Mateus Westin, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Segundo ele, três fatores são fundamentais para avaliar o risco de um ambiente: número de pessoas que podem estar com Covid-19 em um determinado local, nível de aglomeração e a possibilidade de interação direta ou indireta — a direta, por um lado, pode ser uma conversa entre duas pessoas, já a indireta ocorre quando um objeto (como as barras de apoio de um ônibus) pode ter sido tocado ou infectado por meio de tosses e espirros de um indivíduo infectado.

Outro fator de grande importância a ser considerado em relação à exposição ao vírus é a ventilação de um ambiente, dando sempre preferência a frequentar locais em que há amplo espaço e janelas abertas. Ou seja, nesses aspectos, as praias são imbatíveis. No entanto, deve-se manter os cuidados necessários, como uso de máscara. “O comportamento humano é fundamental para aumentar ou diminuir a possibilidade de contágio em todos os locais”, comenta o médico infectologista Leonardo Weissmann, da Sociedade Brasileira de Infectologia.