O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou sete pessoas suspeitas de envolvimento em uma série de crimes cometidos em duas clínicas clandestinas de internação em Montes Claros, no Norte do estado. Entre as acusações estão tortura, cárcere privado, estupro, importunação sexual e organização criminosa.
Segundo a denúncia, pelo menos 15 pessoas teriam sido mantidas em cárcere privado entre 2023 e 2026. Entre as possíveis vítimas, nove eram adolescentes na época dos fatos e quatro eram mulheres com transtornos mentais.
Os denunciados incluem o proprietário das unidades, três coordenadoras, uma técnica de enfermagem, um psicólogo e um responsável pela vigilância dos internos.
Vítimas teriam sofrido agressões e restrições
De acordo com o Ministério Público, as vítimas permaneciam trancadas nas unidades, sem acesso aos próprios documentos e telefones. O contato com familiares seria limitado a uma vez por semana e realizado sob vigilância.
A investigação aponta que os internos teriam sido submetidos a agressões físicas, trabalho forçado, contenção em camas e administração de medicamentos psicotrópicos sem prescrição médica.
A denúncia também atribui ao proprietário das clínicas suspeitas de abusos sexuais contra internas. Conforme o órgão, adolescentes teriam sido levadas a motéis sob a promessa de conseguir liberação antecipada, com a participação de integrantes do grupo.
Clínicas teriam recebido dinheiro público
As unidades investigadas são a Clínica Assistencial Fortalecer e o Instituto Feminino Fortalecer. Segundo o MPMG, os estabelecimentos teriam recebido mais de R$ 700 mil de pelo menos 23 municípios mineiros entre 2022 e abril de 2026, além dos pagamentos realizados pelas famílias.
Mesmo após uma interdição judicial em fevereiro de 2025, as clínicas teriam continuado funcionando clandestinamente.
O Ministério Público também aponta que vítimas eram ameaçadas para não relatarem os abusos e que os responsáveis teriam adotado medidas para esconder internos antes de fiscalizações.
Ministério Público pede prisão preventiva
O MPMG pediu a prisão preventiva de quatro dos sete denunciados e o pagamento de indenização mínima às vítimas. Novos inquéritos também foram solicitados para investigar outros possíveis casos de violência, abusos sexuais e mortes nas unidades.
As investigações contaram com a participação da Polícia Civil, da Vigilância Sanitária e de outros órgãos. O caso segue em apuração, e as acusações ainda serão analisadas pela Justiça.
Pessoas que passaram pelas clínicas e familiares que tenham informações podem procurar a Polícia Civil, o Ministério Público ou o Disque 100.



