Febre entre homens de todas as idades, que desejam alcançar o tão sonhado aumento do ‘amigão’, na ‘hora H’ – que para alguns se torna mais complicado de alcançar – e também melhorar o desempenho durante o sexo, a substância Tadalafila se tornou um dos medicamentos mais populares nos últimos anos, sendo assunto nas redes sociais, e até em músicas que citam seu uso.

Segundo o Conselho Federal de Farmácia, a busca pelo medicamento que trata a disfunção erétil apresentou um crescimento de 38,9%, em 2023, em relação ao ano anterior. Foram comercializadas cerca de 43,1 milhões de unidades do medicamento somente no ano passado.

O uso do comprimido ‘milagroso’, quando orientado por médicos que acompanham o paciente durante o tratamento, não causa grandes riscos à saúde. No entanto, a popularização do medicamento se torna uma preocupação, pois muitos homens passam a utilizá-lo sem nenhuma orientação, o que pode acarretar, em casos mais graves, problemas cardíacos.

Para entender melhor os benefícios, possíveis riscos e quando este medicamento pode ser tomado, o Portal MASSA! conversou com especialistas em urologia e cardiologia, que desmistificaram o uso da Tadalafila.

Para iniciar, é importante ter em mente que cada caso é um caso. A impotência sexual pode ser multifatorial, e a causa precisa ser analisada por um especialista, que irá oferecer o tratamento mais eficaz para cada caso. O Portal Massa! conversou com o urologista Bruno Falcão, que explicou um pouco sobre o que deve ser feito em um diagnóstico de disfunção erétil e o que pode causar esse problema.

“A falta de ereção afeta significativamente a autoestima, a qualidade de vida do paciente e o seu relacionamento. Então, a primeira coisa que essa pessoa deve procurar é se informar, pois existem várias causas para essa disfunção sexual. As causas partem desde fatores físicos, como doenças como diabetes, que é a principal causa. Fatores psicológicos, na maioria das vezes em pacientes mais jovens, avaliar hábitos de vida, distúrbios hormonais, problemas neurológicos. É uma gama de problemas que tem que ser avaliada por um médico especialista, para poder dar um tratamento adequado para cada causa”, explicou.


Quando usar e quando não usar a Tadalafila?

Os medicamentos inibidores da fosfodiesterase tipo 5, como a Tadalafila, são usados principalmente em casos de disfunção erétil. Apesar de ser conhecido como um medicamento que é utilizado antes do sexo, a Tadalafila também pode ser usada no tratamento de hiperplasia prostática benigna, popularmente conhecida como próstata aumentada.

“No caso da disfunção erétil, a Tadalafila pode ser usada na forma de demanda, em 20 miligramas, normalmente 30 minutos antes da atividade sexual. Ou também, na forma diária, sendo utilizado de 5 miligramas contínuos, todo dia, mais ou menos no mesmo horário, independente do horário que vai ter atividade sexual. A dosagem de 20 miligramas permite que o efeito dure, em média, até 36 horas”, esclareceu o médico Bruno Falcão.

Para explicar melhor os riscos que esse medicamento pode oferecer, o Portal MASSA! consultou também o urologista Felipe Pinho, que apresentou situações quando a Tadalafila não é indicada.

“Não há riscos importantes para quem necessita fazer uso (pacientes com verdadeira disfunção erétil). O que pode ocorrer são os efeitos colaterais como dor de cabeça, indigestão, dor nas costas, rubor facial, congestão nasal e dores musculares. Em casos de contraindicações, não recomendamos uso dessa medicação em pacientes cardiopatas graves, nesses casos sempre é recomendado a consulta prévia com o seu cardiologista”, informou.

Ereção prolongada é um alerta

A Tadalafila oferece um efeito de ereção a pacientes com disfunção erétil, que se inicia a partir de 30 minutos do uso, tendo um pico de ação de até 2 horas. No entanto, em casos mais raros de ereção prolongada, por até 36 horas, que ocorrem por conta do efeito residual do medicamento, é necessário que o paciente se atente e busque ajuda médica.

“O que devemos ficar atentos é ao efeito de uma ereção prolongada e dolorosa de algumas horas, neste caso, o paciente pode estar diante de um diagnóstico de priapismo e deverá procurar ajuda médica”, explicou doutor Felipe.

Disfunção erétil e doenças cardiovasculares


A relação entre o diagnóstico de disfunção erétil em homens pode estar atrelada a presença de doenças cardiovasculares. Ou seja, pacientes com doenças cardiovasculares têm uma tendência maior a desenvolver disfunção erétil, e neste caso, os que desejam tratar o diagnóstico de impotência sexual devem ter um cuidado a mais com medicamentos como a Tadalafila.

Ao Portal Massa!, o cardiologista Ricardo Peixoto Oliveira explicou a relação entre os fatores de risco de doenças cardiovasculares e disfunção erétil. Além de apresentar o que um homem com os diagnósticos citados deve fazer nestes casos.

“É reconhecida a relação entre fatores de risco para doença cardiovascular e disfunção erétil, como hipertensão, diabetes, dislipidemia e tabagismo. Essas condições promovem alterações inflamatórias nos vasos, conhecida como disfunção endotelial, justificando a associação”, iniciou.

Como nem tudo são flores, os pacientes com doenças cardiovasculares e disfunção erétil devem se preparar para iniciar o tratamento com Tadalafila. “É importante mudanças de estilo de vida, como perda de peso, atividade física e controle de estresse. A eficácia do medicamento é reduzida quando questões psicológicas e ambientais não estão controladas”, explicitou.

Dores no peito: um alerta

Pacientes que fazem o uso de inibidores da fosfodiesterase tipo 5 podem desenvolver um quadro de hipotensão, popularmente conhecida como pressão baixa, e também apresentar dores no peito, o que é um grande alerta.

“Todo paciente com dor no peito, em aperto persistente, com ou sem sintomas associados com sudorese, náusea ou vômito, deve procurar atendimento imediato em um serviço de emergência. É importante nessa situação afastar condições cardíacas agudas, sendo o infarto agudo do miocárdio a mais comum”, informou.

O doutor ainda explica que é comum que pacientes com dores no peito, causadas pelo uso da Tadalafila, omitam durante a consulta médica de emergência que foi feito o uso do medicamento, por vergonha. Esse comportamento, de forma alguma deve ser tomado, e toda informação deve ser apresentada ao médico.

“Pacientes que tiverem ingerido recentemente inibidores de fosfodiesterase tipo 5 não devem omitir essa informação ao profissional de saúde que fizer o atendimento, já que pelo risco de hipotensão (pressão baixa) grave, cuidados adicionais no atendimento na emergência serão realizados”, alertou.