Parte da população de Salvador que depende do transporte público enfrentou dificuldades nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira (30), após atrasos provocados por rodoviários. Os ônibus só começaram a sair das garagens a partir das 8h.
Segundo o sindicato, cerca de 30% da frota foi afetada no início do dia, o que impactou diretamente a rotina de passageiros.
A categoria já acumula quatro rodadas de negociação sem avanço com os empresários. Segundo o diretor de comunicação do Sindicato dos Rodoviários, Daniel Mota, os trabalhadores cobram a reposição da inflação com 5% de ganho real, além de melhorias no ticket alimentação.
“Os empresários insistem em negar a pauta dos trabalhadores. Em quatro reuniões eles falaram zero tanto para o reajuste quanto para o ticket, que hoje está muito baixo”, disse.
Mota também criticou as jornadas consideradas excessivas. “A jornada é de sete horas, mas as empresas obrigam o rodoviário, no fim de semana, a ficar 9, 10 horas no volante. Isso é gritante. Para transportar vidas humanas, você tem que estar bem, mas as vezes a gente não pode sair do ônibus para se alimentar ou ir ao banheiro”, afirmou.
Já o presidente do sindicato, Fábio Primo, afirmou que os trabalhadores aprovaram por unanimidade a chamada “Operação Tartaruga”, que pode ser iniciada nos próximos dias caso não haja avanço nas negociações.
“A operação é cumprir a lei: é andar pela direita e parar em todos os pontos. Se isso acontecer, o impacto no trânsito será grande. A gente quer evitar esse cenário, assim como uma greve, mas o risco existe”, explicou.
“É o momento do prefeito Bruno Reis entrar, obrigar os empresários a respeitar os trabalhadores e negociar. Se não conseguirem dar o que queremos, que nos respeitem”, disse.
Por fim, a categoria afirmou que, caso não haja avanço nas negociações até segunda-feira (4), novas assembleias, com maior impacto, poderão ser realizadas para pressionar os empresários e tentar evitar uma greve.



