Conjunto Penal de Jequié tem surto de covid: 54 presos de um único módulo testaram positivo

Dos 138 presos do regime semiaberto no Conjunto Penal de Jequié, no Sudoeste do estado, 54 estão infectados pela covid-19. O surto começou no último dia 19, quando 22 internos de um único módulo testaram positivo para a doença. A unidade tem o total de 612 internos e é destinada ao recolhimento de presos de ambos os sexos – 584 são homens –, condenados ao cumprimento de pena em regimes fechado e semiaberto, e, excepcionalmente, de presos provisórios. A Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) confirmou o surto e disse que apenas um está em estado grave.

A denúncia foi realizada na manhã dessa quinta-feira (25) pelo Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado da Bahia (Sindpeb), que tomou conhecimento do surto a partir contaminação de três policiais penais da unidade. “A situação é preocupante não só para os internos, como para os policiais penais e demais servidores. Concluímos as nossas inspeções nas unidades prisionais e em todas elas constatamos que os trabalhadores sofrem com a falta de material de higiene, assepsia, EPIs , jalecos, principalmente máscaras. As máscaras que foram fornecidas no início da pandemia são de péssima qualidade. Só tem uma camada e o logomarca do Estado. Logomarca do Estado não protege ninguém”, declarou o presidente do Sindpeb, Reivon Pimentel. Desde o início da pandemia, 60 trabalhadores, entre agentes penais e servidores, já foram infectados na unidade.

O Conjunto Penal de Jequié conta com oito módulos e o foco de covid-19 ocorreu no módulo III. A unidade foi projetada para abrigar 416 internos – um excedente de 196 presos. Todos os dados referente à população carcerária foram extraídos do site da própria Seap. De acordo com o Sindpeb, os primeiros casos aconteceram no dia 17, mas foi no dia 19 que a direção da unidade resolveu fazer uma testagem em massa no módulo e de imediato 22 tiveram os resultados confirmados. “Provavelmente a tendência é o número ser bem maior, porque a testagem continua e todos estavam no mesmo ambiente”, disse Reivon.

Ele acredita que a contaminação aconteceu durante as visitas. Por conta da pandemia, o acesso de parentes aos presos era feito de forma reduzida. “As visitas, que tinham sido proibidas logo no início da pandemia, vinham sendo realizadas regularmente, apesar de um número menor de parentes. Mas no dia 16 (deste mês) todas as visitas aos internos foram suspensas, conforme decreto do secretário. No entanto, a contaminação se deu antes, houve o período de incubação e estourou agora”, declarou o presidente do Sindpeb

Diante do número do crescente número de casos de covid-19 na Bahia, além do risco de um colapso no sistema de saúde, o Sindpeb requereu à Seap a manutenção da suspensão das visitas até que todos os servidores penitenciários e a população carcerária sejam imunizados.

Seap

O surto de covid-19 no Conjunto Penal de Jequié foi confirmado pela a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap). “A Seap informa que 54 internos do Conjunto Penal de Jequié contraíram o Covid-19. Como contempla o nosso Plano de Contingência para o SARs-Cov-2, os custodiados que positivaram foram imediatamente isolados num pavilhão especifico, para evitar novos contágios”, disse a nota enviada ao CORREIO. Segundo a Seap, apenas um preso “inspira maiores cuidados”. A secretaria disse que os internos infectados estão sendo acompanhados e tratados conforme “preconiza os protocolos das agências sanitárias e órgãos de saúde que são responsáveis pelos protocolos que balizam dados da pandemia”.

A nota informa ainda que um dos internos infectados teve o quadro clínico agravado e “foi imediatamente encaminhado ao Hospital Geral Prado Valadares para atendimento especializado”. “Outro fato relevante, os familiares dos custodiados estão sendo informados pelo serviço social da Unidade sobre o estado de saúde de cada contaminado”, disse a Seap. A nota não faz referência aos policiais penitenciários também infectados, segundo o Sindpeb.

A Seap também não comentou sobre o pedido de suspensão das visitas até a vacinação dos servidores das unidades e da denúncia de falta de materiais de higiene e prevenção contra a covid.

Jornal Correio da Bahia