Jovem perde movimentos e voz após ser espancado e estuprado em ataque homofóbico; família pede ajuda

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“Eu daria tudo para ter meu filho perfeito, andando dentro de casa, falando com a gente. A nossa vida hoje se resume em cuidar dele”. Esse é o desabafo de Marcos Cicero, pai de Jefferson Feijó, de 23 anos. O jovem foi vítima de um brutal ataque homofóbico em dezembro de 2018, na cidade de Moreno, na Grande Recife, e agora não anda, não fala e precisa de ajuda até mesmo para se alimentar.

Jefferson estava na festa da padroeira da cidade com amigos, quando foi espancado, estuprado e roubado. Como consequência de uma lesão na cabeça, ele perdeu os movimentos, a fala e está sendo constantemente alimentado através de sonda. “O neurologista que tratou dele no hospital falou que o quadro dele é difícil, mas não é impossível ele ficar bem”, conta o pai.

Segundo ele, mesmo após quase um ano do crime, a família não está recebendo auxílio do INSS e só tem conseguido se manter através das doações que tem recebido. “A despesa é muito alta, tudo é através das doações. Se não fosse isso, não sei dizer o que a gente estaria fazendo. Não temos os recursos para manter”, afirma.

Jefferson e família recebendo a visita de apoiadores (Unidos pelo Jeff/Facebook/Reprodução)

Além da alimentação especial, que já é um gasto alto para a família, Jefferson agora está na segunda etapa do tratamento. Ele necessita com urgência de uma maca ortostática, que permite a colocação do paciente na posição em pé. Para conseguir o aparelho, a família está realizando uma vaquinha.

“Hoje nossa vida se resume em só cuidar dele. A gente mudou para a capital, eu perdi meu emprego. Mas continuamos tratando com carinho e com amor, é o nosso filho. Quem é pai ou mãe entende o carinho”, desabafa o pai.

Como ajudar:
Vaquinha online: doe aqui.

Rifa de obra artística, em prol do tratamento: participe aqui.

Depósito ou transferência bancária (conta do pai de Jefferson):
001 – Banco do Brasil
Agência 2326-4
Conta poupança: 6343-6
Marcos Cícero Cruz
CPF: 440.973.874-72

Paypal: [email protected]

Entenda o crime

Em 7 de dezembro de 2018, Jefferson estava com quatro amigos comemorando a aprovação escolar. Segundo o relato do pai, o jovem estava com quatro amigos, quando o grupo foi abordado por um homem pedindo bebida. “Ele ficou observando os meninos e toda hora pedia bebida, até que a bebida de Jefferson acabou e ele não deu mais”, conta.

Mais tarde, Jefferson se ausentou da companhia dos amigos para urinar. Quando o grupo notou uma demora, saiu à procura do jovem e o encontrou desacordado, ensaguentado e nu. A vítima foi estuprada, roubada e agredida, ficando em coma por cerca de um mês após o ocorrido.

Unidos pelo Jeff/Facebook/Reprodução

O acusado do crime é Robson da Silva Alexandre, de 25 anos. Segundo o portal G1, ele foi preso preventivamente em agosto deste ano. Procurado pelo BHAZ, o Tribunal de Justiça de Pernambuco se limitou a informar que o processo corre em sigilo.

Marcos Cícero, o pai da vítima, diz que Robson era conhecido na cidade, por se tratar de uma cidade pequena, mas nunca teve proximidade com Jefferson.

Jefferson em janeiro de 2018 (Jefferson Cruz/Facebook/Reprodução)

‘A mãe só dorme ao lado dele’

O ataque brutal motivado por homofobia teve um impacto enorme em toda a família de Jefferson. “Eu vi a mãe dele quase enlouquecer dentro de casa. Ela já não dorme, nem mesmo tomando medicação. Só dorme se for ao lado do menino, em uma poltrona”, relata Marcos, pai da vítima.

Marcos diz que está feliz porque o filho está vivo, mas triste porque ele sempre foi um menino alegre, extrovertido e que todos se sentem bem ao lado dele. “Em termos da vida que ele tinha, perdeu um ano já”, lamenta. O pai ainda diz que só está recorrendo a divulgação e doações por necessidade. “Eu daria tudo para ter meu filho perfeito, sem fotos dele por todo lugar, vivendo a vida como anônimo”, conclui.

A família mantém no Facebook uma página onde compartilha as novidades do tratamento de Jefferson. Para saber mais, acesse aqui.